Digo tudo isso pois parece que entendo diferente as coisas. Veja bem, vamos pegar como exemplo os Beatles. No início da carreira eles se vestiam de terno, cabelo dividido para o lado e com dancinhas de Rock & Roll. Porém, há de se inserir tudo isso no contexto da época, correto? Ali, nesta fase inicial deles,era o início do Rock com James Brown, Elvis e o início da exploração e experimentação dos instrumentos elétricos que nessa altura já estavam sendo fabricados em série e aos montes e esse jeito de se vestir tinha um tom charmoso e ao mesmo tempo jocoso.
Entretanto, logo depois, nos anos seguintes, eles mesmo adotaram outro tipo de postura, que por sinal, era condizente com a época. Faz sentido, não faz? Afinal, quem na época usava aquelas calças boca de sino e usava todas aquelas cores viajantes em um vídeo clip depois de longas caminhadas pelo LSD? Bom, bastante gente na época mas, naquele momento isso era novo, rebelde. E a arte pra mim é isso: Rebeldia. E é muito fácil ligarmos essa palavra ao movimento Punk, principalmente falando-se em música, porém eu a elevo a um sentido mais amplo aqui. A rebeldia como o elemento principal para a arte. O inconformismo com o que já existe, a criação de algo fora dos padrões estabelecidos. A desobediência das regras que cria o novo. Não foi assim que surgiu o Rock? Com os loucos do mundo gospel que gostavam de esquentar um pouco mais a guitarra? Pois bem, é a partir desse principio me pergunto: “E porque esses caras que vivem em 2010 estão usando terninho com o cabelo para o lado igual os Beatles a décadas atrás?” Bom, eu sinceramente não sei.
Talvez falte criatividade. Fazer algo novo dá muito trabalho. Tem que inventar e tal. Cansa. E perceba que o que digo aqui nada tem que ver com músicos que trazem a nós a música de outros artistas como um entretenimento que nos seria impossível em certas ocasiões. Admiro os músicos que mantém Chopin não tenha deixado nenhum CD gravado nem tinha myspace, logo, nos finda a partitura. Então, é maravilhoso poder ouvir suas músicas sendo tocadas ao vivo. E até mesmo bandas como a Blackbird, que faz um excelente trabalho tocando fielmente as músicas dos Beatles, sem caracterização, apenas para quem quer sentir como era ouvir a música do quarteto de Liverpool e nunca teve (e nunca terá) a chance para tal. Até mesmo as que se caracterizam eu consigo compreender, já que faz parte do encantamento a ilusão de que são eles ali tocando, mesmo eu já não concordando tanto com essa insistência no apelo da imagem.
E eu não me limito a exemplificar apenas com os Beatles. Esses talvez sejam os que menos me incomodam. Me incomoda mais ainda esses que que se transvestem com calças dos anos 80 e juram que é novo. Dos que, de pé junto, dizem que inovaram com sintetizadores de onda quadrada e a caixa da bateria com Gate Reverb e um cabelo beeem espetado. Aí meus salubres contemporâneos amigos, já me foge o entendimento.
Já aproveitando o assunto, recentemente eu coloquei fogo na minha guitarra. É, isso mesmo. Mas não foi uma tentativa de imitar o Jimi Hendrix por querer ser igual a ele ou pelo saudosismo da época “true” de Woodstock. Foi mais por que a minha guitarra não vale nada e achei que ela ia ficar legal queimada. Não, eu não sou maluco. Eu sou...rebelde!
Pra quem não acredita, clique AQUI para assistir o vídeo.
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Abraços
Favilla